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O minimalismo da aquarela na minha vida

Ana no ateliê

Um pedacinho do mini-micro-nano-ateliê para contar umas coisas sobre meu espaço de trabalho e um pouco da minha visão de vida. Senti essa necessidade de voltar a escrever também, em tempos de tiktok, youtube e instagram, escrever e ler parece uma coisa tão ultrapassada né?! Me senti meio antiga agora… hahaha. Nem sei se vai ter alguém aqui que vai ler tudo isso, mas estou escrevendo mais por mim, estou escrevendo só pra tirar de dentro e dar uma arejada nas ideias. Mas se você quiser ler, fique à vontade!

Vamos lá, esta é a minha mesa de trabalho atualmente, há pouco que ela existe. Meu “ateliê” é isso, uma mesa no canto mais iluminado da casinha, pois eu gosto de pintar com luz natural. Acho que de dia as cores ficam mais fáceis de meus olhos processarem do que à noite, apesar de que também trabalho à noite em várias situações, principalmente quando quero terminar algo.

Senti vontade de falar sobre meu espaço de trabalho aqui hoje para tocar no tema da simplicidade e do minimalismo. São conceitos que venho tentando exercitar e aplicar na minha vida há mais de dez anos. Meu companheiro de vida me acompanha nessa jornada, aliás, foi o grande incentivador do meu desapego em várias coisas que realmente hoje não sinto a menor falta, e até percebo quanto atrapalhavam o fluxo da minha vida.

Eu já fui uma acumuladora de tecidos (quem nunca?!), ele me resgatou da montanha opressora de pilhas e mais pilhas de retalhos e tecidos que eu humanamente nessa vida aqui, nunca iria ter tempo pra trabalhar com tudo aquilo. Aprecio ainda mais a convivência com ele por essa sabedoria compartilhada, e foi também uma coisa que a viagem de bicicleta nos trouxe: você literalmente carrega o peso do seu conforto, em bici ou mochila em um nível bem real e físico, então conforme você sofre pra carregar, ele passa a fazer menos sentido e você deixa ir embora e tudo fica mais leve, mas não é tão evidente assim na vida cotidiana. Então é mais difícil identificar essas sobras e excessos por que você enfia num armário e esquece que tá lá. Mas está, e acumulando poeira, ocupando um espaço. Tento diferenciar o que possuo e o que me possui, a cada “subida de morro” da vida essas coisas pesam nos ombros ou nas pernas. Pode notar!

Então aos poucos tentamos ir eliminando o que é excesso, (até hoje) e notamos que tudo o que possuímos e que não usamos com frequência, não deve permanecer, era só uma muleta da nossa insegurança ou inexperiência. Tínhamos coisas que achávamos que íamos precisar um dia, quem sabe, vai que… Mas esse dia nunca chegava e aí aquela coisa atrapalhava o andamento das outras mais significativas ou necessárias. Ainda há muita coisa que não consegui desapegar, mas este é o exercício, e estar consciente desse caminho. Tento uma vez ao mês fazer uma revisão, sempre sai uma sacolinha de coisas. A sensação é ótima! Mas também tem o exercício de que coisas você traz pra fazer parte.

O minimalismo da aquarela na minha vida
Tem livro despencando dessa parede minha filha!

E o que isso tem a ver com a aquarela. Pois bem, a aquarela é uma das técnicas de pintura mais minimalistas que já experimentei (já pintei tecido, tela em óleo, acrílica, madeira, gesso…enfim, você pegou o sentido!) Não é por que ela é simples que ela não seja complexa. Calma, que vou tentar explicar melhor…

A técnica em si requer o mínimo de coisas, e foi esse minimalismo que me atraiu pra ela. Mas a pintura em si pode ser bem complexa, há uma infinidade de técnicas e aplicações, ela é mágica e linda, encantadora e misteriosa.

Você pode sim ter uma infinidade de materiais e um ateliê gigante se você quiser, e gastar rios de dinheiro no que for mais caro, claro, o mais caro tem mais qualidade e pode até durar mais tempo, mas esse não é o ponto. O ponto é que não precisa muita coisa, a técnica por si só não exige. No fundo você quer mais coisas, você sempre vai querer mais coisas. Por isso eu me vigio e tento ter uma visão crítica do que eu adquiro. Eu levo eternidades escolhendo material quando o meu vai chegando ao fim, hoje em dia não tenho nem espaço viável pra acumular coisas que não serão usadas. Então eu tiro um tempo mental pra pensar se o que vou adquirir vai agregar em algo na minha experiência (em geral durante as caminhadas, tomando banho, nas páginas do diário… hahaha).

O mais importante da aquarela na minha opinião é um bom papel, não dá pra usar sulfite tem que ser papel pra técnica mesmo, não tem jeito. A tinta, se você tiver 3 cores primárias e conhecer sobre misturas já dá pra começar a fazer coisas bem legais. Pincel você pode ter 3 tamanhos básicos dos mais baratinhos que você já consegue resultados muito bons. Espaço, você só precisa um lugar que te caiba sentado, e uma prancheta ou pequena mesa. Tudo que vier além disso é pra seu luxo, seu conforto, sua experimentação ou sua evolução na prática conforme você for desvendando e elaborando seu estilo e seu trabalho. Não há nada de errado e ter um ateliê enorme e confortável e uma montanha de material, desde que aquilo seja útil pra você e importante no seu trabalho (nem que seja pra servir como aquelas muletas da insegurança ou inexperiência que eu mencionei antes).

Então quero dizer, na aquarela dá pra começar bem pequeno e ir evoluindo aos poucos, conforme você se familiariza com a técnica, conforme seu bolso vai permitindo, conforme você vai querendo experimentar materiais que não conhece ainda e assim por diante, mas minha mensagem é use as coisas, use até o talo, extraia o máximo dos seus materiais. E essencialmente, a aquarela é minimalista, e isso me apaixona e foi por isso que eu comecei, por que ela não me exigiu muitas coisas ou muito espaço, ela só exigiu que eu praticasse.

Tem mais um tantão de coisa que me apaixona na aquarela, como a vontade própria que pigmento e água tem cada um ao seu modo, mas essa história fica para outro post.