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10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

No 10º e último post da série Casamento o vestido de noiva totalmente reciclado e pedalável.
10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Desde agosto de 2009, quando anunciamos aos pais que queríamos nos casar, comecei a separar tudo o que eu tinha de material branco em casa e isso lotou uma caixa bem grande! Contei pra mãe que iria fazer meu vestido, e que ele seria todo de reaproveitamento: roupas antigas, retalhos de tecidos de quando ela fazia curso de corte e costura… Depois da família toda já estar sabendo da notícia do casamento, a mulherada sempre perguntava “E o vestido?”. Se eu contasse que ia ser de retalhos o espanto seria geral, mas eu contei!

Antes de colocar a mão na massa, separei algumas imagens na internet, de coisas que me remetiam a vestido de noiva, rendas, retalhos, babadinhos, coisas de que gostei, e coloquei tudo numa pasta do computador, depois fiz um mural virtual (essas coisas que na faculdade a gente cansa de fazer para criar coleções… é, são úteis mesmo!). Uma pena que na época não anotei as fontes de onde extraí estas imagens. Agora só me resta dizer: se você é dono de uma destas imagens aí abaixo, me escreva que terei muito prazer em colocar sua referência!

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Em uma das visitas aos tios e primos paternos que surgiu o assunto, o vestido de retalhos. Uma das minhas tias teve uma loja com aluguel e confecção de trajes de festa e noivas. Ela contou que tinha pedaços de rendas que estavam guardadas e lá veio ela com uma daquelas caixas de cobertor, bem pesada. Tem idéia do quanto de renda cabe lá dentro? Material suficiente para fazer uns 10 vestidos. Aceitei com muita empolgação o precioso presente, e não via a hora de começar a mecher naquelas rendas, escolher e começar a criar com elas.

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Vocês percebem que não consigo jogar nada “que-um-dia-pode-ser-útil” no lixo, principalmente de tecido! Aqueles pedacinhos de cetim do vestido de minha amiga ainda poderiam ser usados para alguma coisa, enfim, guardei os retalhos do vestido com dó de jogar fora.  Quase um ano depois, estava lá eu, recortando os retalhos e costurando-os, sim, eles foram muito úteis!

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Comecei meu vestido a partir de uma saia “bem anos 90” que minha mãe usou por muito tempo, nem sei que tecido é, mas gostei do caimento e da textura. A saia já estava bem usada e ainda tinham uns pedaços guardados que sobraram de quando ela cortou e costurou (não tenho mesmo a quem puxar?! retalhos guardados por quase 15 anos…tsc tsc). Lavei tudo e alvejei bem pra dar uma branqueada a mais. Decidido isso fiz a base da parte superior do vestido, usei tricoline com elastano, um pedaço sobrado dos testes de um projeto da faculdade. Sobre essa base foi a “trabalheira” de aplicar os retalhos de renda que ganhei da tia e as mini-rosinhas de cetim.

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Cada minúsculo pedacinho foi utilizado na confecção de pequenas rosinhas de tecido que apliquei sobre o vestido e os retalhos maiores no bouquet (pap que já postei aqui). Nessa etapa de minúcias minha mãe me ajudou muito, ela levou alguns retalhinhos para fazer mini-rosas em casa e na semana anterior ao casamento a mãe veio pra cá me ajudar com tudo que ainda faltava e obviamente com o vestido. Os 3 últimos dias antes trabalhamos apenas no vestido, as rendas foram todas aplicadas à mão, assim como as mini-rosas, e algumas vezes com o vestido no corpo, nós duas “me costurando” quase literalmente.

Depois da parte superior pronta foi a vez do grande dilema: como pedalar com um vestido longo? Isso deveria ter sido resolvido muito antes de qualquer coisa, mas eu não fazia idéia de como poderia resolver a questão, então segui fazendo o que já sabia e deixei a parte difícil por último (estilistas, não façam isso em casa! hehe Planejem antes!). Nós iríamos de casa até a igreja de bicicleta, e isso foi uma das coisas que não arredamos pé. Muitas idéias que nós dois tivemos para nosso casamento tiveram que ser abandonadas, ou por serem radicais demais, ou pela questão operacional e logística… Mas pedalar pro casório foi uma das que não queríamos deixar de lado. Só Deus nos impediria deste presente, e no caso também São Pedro e Santa Clara tiveram colaboração especial! Olha que dia!

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Na semana anterior uma amiga veio em casa para tomar um cafézinho, e pra me dizer que não poderia ir ao casamento, pois iria visitar a irmã e o sobrinho que havia nascido e passar um tempo com eles. Nesse café e muito papo depois ela me dá um baita presentão sem saber. Conversávamos sobre o vestido e ela sugeriu algo balonê pois facilitaria o pedal. No momento descartei a idéia pois não estava muito convencida a usar um vestido curto no meu casamento, principalmente na igreja… Mas, depois de tudo pronto, menos o “dispositivo pedalável”, me lembrei da conversa com ela… é claro, uma saia balonê de mintira!  Foi assim que resolvemos eu, a mãe e a super idéia de minha amiga:

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

A saia seria sim longa, com forro. Inicialmente o comprimento seria até a canela, mas graças aos retalhos guardados  por 15 anos conseguimos emendar mais um barrado e rebordamos com renda e (dá-lhe mais) rosinhas. Um viés costurado por dentro do barrado forma uma canaleta por onde passa o roletê de cetim.  Este cordão franze o barrado da saia junto com o forro, e é amarrado por baixo da saia, junto à cintura, reduzindo uma saia longa à metade. Esta outra metade confere um volume criando uma saia “bufante” mas de comprimento razoável. Claro que fui com uma bermudinha por baixo, mas de qualquer maneira o vestido ficou muito confortável pra pedalar. Primeiro porque o topo do vestido foi feito com tecido elástico, e segundo porque a saia dobrada ficou bem pesada, não levantando com o vento mesmo nas descidas mais íngrimes do sobe e desde ali dos bairros Cacupé e Santo Antônio de Lisboa.

Minha tia-fada-madrinha me ajudou com a sandália, que eu tinha ganho no Natal. A sandália  já era branca, aí ela teve a idéia de forrar com as rendas do vestido e ficou linda e muito confortável pra pedalar e ficar em pé sem cansar.

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Quando contávamos que iríamos pedalando, poucos eram os otimistas. “E se chover?”, “Vocês vão chegar suados”, “Vai borrar a maquiagem e desmontar o cabelo”, “Ninguém vai abraçar vocês todos sujos de fuligem do asfalto e fedendo”, e assim  seguiam os mais empolgantes incentivos. Ainda bem que ninguém falou “Vocês vão ser atropelados e nem vai ter casamento”, hehehehe. Mas deu tudo certo, e deu casório sim!

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Claro que quem pedala sabe, que mantendo o ritmo “na maciota” ninguém sua bicas de água, muito menos quando o clima está ameno. Quanto ao ser atropelado, a gente estava chamativo demais pra alguém passar por cima e alegar que não nos viu. Bom, a cabelereira ficou um pouco apreensiva com a questão “capacete”, mas o penteado ficou inteiro, não desmontou nadinha, e a maquiagem foi só preciso um retoque no batom (questão da mãe). Aí antes de entrar na igreja você percebe o quão útil se faz um espelho retrovisor na bike… Mas nossas bikes não tem retrovisor…é, tivemos que usar um CARRO improvisado de espelho! Mas seu uso terminou por aí…hehe

10# Vestido Reciclado de uma noiva ciclista

Para ver mais fotos do vestido e do casório, só clicar aí abaixo:

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Como este é o último post, nós queremos agradecer a todas as pessoas que fizeram parte deste nosso sonho que se realizou. Mas o maior responsável por tudo isso, Deus, e a Ele o maior agradecimento, por ter colocado nós dois um na vida do outro, e por ter colocado pessoas tão maravilhosas ao nosso redor!

E fim! Esse foi o capítulo final da historia do nosso casamento!

Esperamos sinceramente que as idéias que compartilhamos aqui sobre como realizamos nosso casamento incentivem, inspirem e ajudem mais pessoas a transformar  idéias em atitudes, a colocar a criatividade pra funcionar e as mãos pra trabalhar!

Até o próximo post!