Archive for the 'moda' Category

Artesanato Andino

Durante nossa viagem de bicicleta pela América do Sul, viemos parar no Perú, mais especificamente em Cusco. Desde  nossa entrada na Bolívia me impressiono com a riqueza das cores e o minucioso trabalho artesanal das comunidades do altiplano andino. Na casa de um amigo em La Paz, descobri este livro “Andean Folk Knitting” de Cynthia Gravelle Lecount,  na biblioteca da mãe dele, fiquei boquiaberta com a seleta coleção de trabalhos artesanais que ela guardava. Eram Ch’ullos, tapeçarias, peças de tear, de bordado e de tecido em múltiplas camadas (algo parecido com ponto escondido).

Aí comecei a me interessar ainda mais pelos trabalhos realmente originais das comunidades que habitam o altiplano, intrigada com aquelas técnicas para mim desconhecidas, tudo aquilo parecia tão impossível de ser feito à mão! Em Cusco e região garimpei alguns Ch’ullos,  estes gorros construidos com uma técnica de tricô pré-hispânico, originais, esquecidos no meio dos gorros feitos à máquina e vendidos à rodo para os turistas. Caminhando pela Av Sol, no centro de Cusco, me deparei com o Centro de Textiles Tradicionais, e após ver as senhorinhas  tecendo ao vivo no local, fiquei tentada a aprender aquela maluquice toda de fiozinhos amarelos pra cima, fiozinhos azuizinhos pra baixo, sem pedal nem pente de madeira, uma mágica feita naqueles teares “bem simples”, sentadinhas no chão, com todas aquelas cores de encher os olhos, todos aqueles desenhos misteriosos.

Entrei no museu gratuito dentro do centro, e fiquei ainda mais impressionada com toda aquela Tecnologia Têxtil. São simples, como disse no parágrafo anterior, a estrutura e as ferramentas, mas no preparo do trabalho e a contrução do tecido é um tanto, muito!, complexo. Não se usa nenhuma ferramenta sofisticada, somente algumas ripas de madeira, um osso apontado, alguns pedaços de bambus e as “caullas”, que são ripas de madeiras usadas para dividir as várias camadas do trabalho, conforme sua complexidade. O  pente  ou “liço” é feito com linha e uma barra de madeira circular, a tensão do urdume do tear é feita com o peso do próprio corpo, e o trabalho é feito ao longo de dias e mais dias, se não meses, sentados ao chão, com a base do trabalho atada à uma árvore ou a um toco e a outra extremidade atada à cintura.

Marquei minhas aulas de tear, são apenas três, para aprender a técnica básica e tentar descomplicar o nó que minha cabeça fazia toda vez que via o trabalho pronto e as senhorinhas a contar fiozinhos. Foram 18h de aprendizado. Segunda feira a professora Liseth, de apenas 19 anos, me recebe com toda sua paciência para começar a me ensinar os fundamentos. A aula é particular, e a professora vem especialmente de Chinchero até Cusco para me ensinar nestes dias. Liseth começou a aprender aos 7 anos, então já é mais de uma década de experiência, uma agilidade incrível naquelas mãos! Me contou que a maioria das crianças, não importa se menino ou menina, já começam a aprender nesta idade os primeiros trabalhos de tear, e em algumas comunidades também o tricô para construir seus Ch’ullos.

Na primeira aula aprendi alguns desenhos básicos construídos com 6 fios e duas cores, listras comuns, o Tanka Churo e o Sikipunakuj Churu, desenhos simples com poucos passos. Ainda no mesmo dia, na aula da tarde, aprendi a construir o urdume, a maneira de atar o trabalho, como construir o liço, ou “pente”, e dois novos desenhos, o Kuti e o Mayu Q’enqo com 8 fios e 16 passos. Na segunda aula preparei o urdume de um Chumpi de 16 fios. Um Chumpi é um cinto usado na vestimenta tradicional de homens e mulheres e também usado para envolver as mantas dos bebês. No mesmo urdume e na mesma tarde aprendi o desenho Jakacchu Sisan e o Challaypu que tem 12 passos. No terceiro e útimo dia de aula aprendi a construir o urdume para tecer desenhos combinados, o que exige especial atenção pois se combinam muitas cores. O desenho se chama Loraypu e tem 30 fios, mais as bordas duplas com desenho de 6 fios, o Loraypu tem 38 passos até voltar a repetir-se outra vez. Um verdadeiro exercício matemático e de memória, já que as tecelãs guardam todos os desenhos em suas cabeças. Minha professora ainda me contou que cada comunidade geralmente tem seus determinados desenhos, e se aprende de família, como uma tradição que vai passando de geração em geração. Mas pra nós alunos, há um esquema de letras e cores que ajudam a seguir linha por linha a contagem dos fios.

Queria saber mais de toda essa cultura conversando com a profe, mas é um segundo de atenção em outra coisa que não o tear e se perde a conta, pula um fio, esquece de segurar uma linha…Errou! Há que desmanchar e fazer outra vez. As vezes só se percebe o erro muito depois de várias linhas feitas, então é preciso concentração total. No final da última aula perguntei sobre os acabamentos, e outra vez a simplicidade predomina, tranças encerram o trabalho, se é que algum dia eu conseguir terminar todo o urdume! São 1,20m de urdume pra serem preenchidos, incontáveis horas de trabalho. Levei 6 horas para construir  10 cm em um cinto que medirá cerca de 7 cm de largura, por 1,20 de comprimento. Daí já posso saber quando vou conseguir terminar o tal  Chumpi, ou seja, daqui há muito, mas muito tempo!

Nestas 3 aulas iniciais aprendi somente alguns desenhos geométricos, mas estas senhorinhas que tecem no Centro de Textiles, dando seu Show de Tear ao Vivo todos os dias, constroem os mais incríveis desenhos, tem ursinho, llama, cavalinho, flores, plantas, geométricos complexos… É criatividade e trabalho que nunca tem fim! Fiquei encantada de encontrar este lugar e estas pessoas. Um esforço realmente grande para manter a tradição dos têxteis alto andinos. Admiro demais as artesãs e toda a equipe do Centro de Textiles Tradicionales de Cusco, por este trabalho maravilhoso e sou muito grata pela oportunidade de aprender um pouquinho, que pra mim já é muito, destas técnicas de centos de anos! Eu diria até que se você for a Cusco, e se você é fã de artesanato, principalmente têxtil, a visita ao CTTC e seu museu é mais imperdível que as ruínas de Machu Picchu.

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Loja Virtual anAVivian

Olá pessoal,

Mais uma novidade aqui no blog, agora as Apostilas e Moldes estarão disponíveis para download na Loja Virtual.  Não será mais preciso enviar e-mail para solicitar as apostilas, e o pagamento não será mais por depósito bancário. Adiante eu explico em mais detalhes.

Todo processo de compra/download é automático. Funciona assim:

– Apostilas e moldes gratuitos: Escolhe o produto, realiza seu cadastro e o download estará disponível em “Meus produtos Digitais” dentro da loja virtual.

–  Apostilas e moldes pagos: escolhe o produto, realiza seu cadastro e pagamento, aguarda a confirmação automática do pagamento pelo Sistema do Pagamento Digital e o download estará disponível em “Meus produtos Digitais”.

Por enquanto não estou vendendo produtos físicos, apenas virtuais. Isso porque estou realizando um projeto que inviabiliza esta atividade. Então por tempo indeterminado não estou aceitando encomendas de produtos e moldes.

O blog anAVivian passará por um período de poucas novidades daqui em diante, pois eu e meu marido estamos realizando um projeto que sonhamos já há algum tempo. Para acompanhar esta história, acesse o site www.pedarilhos.com.br/blog. Nesta viagem estou levando agulhas e linhas e estou tentando arrumar tempo para bordar, além de pedalar, atualizar diário de bordo, fotografar e filmar. Quando tiver algum bordadinho novo, postarei por aqui as fotos.

Agradeço desde já a sua compreensão e visita aqui no blog!

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Estampa de Costura

Olá pessoal,

Vocês já conhecem a Panólatras? É uma loja muito legal de venda de tecidos sob demanda. Além de comprar tecidos exclusivos, você pode enviar a sua estampa pra lá. Foi o que eu fiz, e agora minha estampa está sendo vendida por lá.

Espero que gostem!

Sobre a estampa: A inspiração para esta estampa foram os ícones da mesa de trabalho de uma costureira. Alguns desenhos foram criados em 2008 para materiais de divulgação que distribuí no desfile de minha formatura no Curso de Moda, pois costura e modelagem foram as áreas da moda que escolhi para me dedicar profissionalmente.

Abraços e boas costuras!

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Lançamento! Moldes anAVivian

Olá pessoal!

Quero contar pra vocês que finalmente terminei a primeira etapa de um projeto que por algum tempo sonhei em realizar, e por muito mais tempo ainda fiquei  sentadinha realizando! Lá se foram horas e horas do computador pra máquina de costura, e vice-versa, para realizar o tal do sonho. Mas valeu a pena, pois o resultado me deixou muito feliz!

Continue lendo:

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Tutorial: Bolsa para Cestinha de Bicicleta

Para você que já cansou do estilão esportivo dos acessórios bikers, coloque as mãos na máquina e o pé no acelerador (não estou falando de carro, ô! Estou falando da máquina de costura!).

Agora não tem mais essa desculpinha que fica difícil carregar um monte de tralha peso na bici sem perder o estilo. Nem aquela outra desculpinha que coisas legais pra bike só tem ‘naxgringa’ e custa caro. Instale sua cestinha de déxreal‘ na bicicletaria mais próxima e pegue uns tecidos bunitinhos. Melhor ainda se for reaproveitando uma roupa que você não usa mais.

{Uma calça jeans dá bem certo pra fazer essa bolsa. O protótipo fiz com as pernas de uma calça, que tinha virado bermuda há algum tempo. E esse aí da foto eu fiz com um tecido bem fofo de elefantinhos que era o barrado de uma colcha de cama da minha tia, de quando ela era criança.}

Esta bolsa fiz com as medidas de uma cestinhachingling‘ tamanho médio que comprei logo que coloquei peças decentes na bike, há mais de 4 anos, e quando ainda não sabia muito a respeito das condições de produção de coisas semi-descartáveis vindas de muito longe. Nem fazia ideia ainda do que era o tal do ‘saicouchiques’, e por aqui não tinha pra vender essas cestas de vime adaptadas pra bike. Eu ainda nem sabia pedalar na rua, no trânsito caó-lho-tico, meu negócio era só ciclovia e ainda por cima com maior medão!{Pra fazer ideia, eu nem conseguia beber água da caramanhola enquanto pedalava.} Mesmo depois de muito uso e algumas viagens no cascalho e serra abaixo, a cestinha ainda tá inteira, com algumas ferrugens é verdade, mas nada que uma tinta spray e uns pontos de solda não resolvam daqui um tempo.

Mas chega de tricotar! Vamos ao que interessa? Continue lendo:

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